BEDA / Intacto

Quem ama de paixão, sabe —
antes de morrermos mil vezes —
nos despedaçamos dez vezes mil…
Quem permanece intacto em uma relação —
sem perceber a falta de algum pedaço —
não está a amar…

Cabeça, tronco e membros —
nada escapa à desconstrução de nosso ser…
Quando amamos,
quem nos vê caminhar pelos lugares,
apenas se ilude que ali se move alguém integral —
a respiração foge dos pulmões
ou falta o coração —
que bate em outro peito…

Tocados pelo outro,
enquanto o sangue circula fora do corpo,
os olhos se perdem em cada nuvem que passa
e as pernas seguem por ruas
pelas quais passeiam o ser amado…

No auge da paixão
é doloroso amar,
porque não estamos onde estamos…
Desconcentrados de nós,
variamos de senso,
contrariamos o consenso,
o equilíbrio é penso,
o desejo é imenso
de estar no outro,
com o outro,
pelo outro,
pelo com pelo
peles unidas…

Quando nos perdemos em nós,
destroçados e trocados
de corpos e mentes,
ganhamos todo o Universo
— o Inferno e o Céu —
destino incerto,
a terminarmos como solitárias moléculas dementes
ou a renascermos amorosas sementes…

Roseli Pedroso / Lunna Guedes / Darlene Regina / Alê Helga /
Claudia Leonardi / Adriana Aneli / Mariana Gouveia

7 pensamentos sobre “BEDA / Intacto

  1. Pingback: botões, biscoitos de nata e envelopes azuis – Catarina voltou a escrever

  2. Acho que o amor é ilusão que tal e qual um raio tem explicações simples e complexas, depende de cada um… não sou e nunca fui uma criatura romântica e não acredito nesse amar sem freios, que desconstrói, rói ou que nos põe a perder ou nos afasta de nós mesmos. Isso para mim é religião, coisa humana, comum aos homens.
    Eu sempre preferi a paixão ao amor… depois de algum tempo percebi que amor é coisa menor e que depende de tanta coisa. Sem a paixão, por exemplo, é nada. Eu preciso me apaixonar todos os dias. Talvez por isso não dê a minima para Chronos e deseje a presença de Kairos.
    Enfim, mas isso sou eu… e gosto imenso de quem sou. rs

    • Ao meu ver mores/paixões/entregas/sentires são experiências pessoais e intransferíveis. Independe de crenças e pressupostos anteriores e controláveis. Vive-se ou não. Ou se vive sem viver. Mas isso sou eu que sinto/imagino/vivo.

  3. Pingback: B.E.D.A. – Achados e perdidos – Sacudindo as ideias

  4. Pingback: b.e.d.a – pode ser em Cuiabá ou uma vila qualquer da França… | O Outro Lado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.